Não me culpem de os meus pais terem falta de imaginação para dar nomes a cães

Há dois anos recebi um cão cá em casa. Tinha sido um amigo do meu pai que lhe tinha pedido para ficarmos com o cão por uns tempos, pois ele ia sair do país por motivos que já não me lembro. E foi – se calhar -, uma desculpa porque ele voltou para Portugal e o cão cá continuou. O nome dele era Tareco. Agora, riam-se. Vá. Já está? Fixe. Tareco é nome de gato, sim, mas não fomos nós cá em casa a dar-lhe o nome, pois antes de ele ter vindo para cá já tinha esse nome – algo que não agradou nada à minha mãe. Nas primeiras semanas o cão ficava lá no quintal e limitava-me a dar-lhe comida e água e deixava-o passear de vez em quando. Tentei ao máximo não me afeiçoar a ele porque sabia que ele não ia ficar na nossa casa por muito tempo. Mas foi irresistível. Adoro cães e não tínhamos um cão há imenso tempo. A última cadela que tínhamos tido esteve cá dez anos e morreu há cinco. Chamava-se Cigana. Mais outro nome estranho. Passo a explicar. Quando o meu irmão anda na escola primária viu uma cadela e deve ter-lhe achado graça e meteu-a na mochila. E pelo que parece, a cadela era de uns ciganos. O meu irmão e os meus pais amavam-na.

Do Tareco (o cão, relembro-vos),
Afeiçoei-me imenso a ele, é verdade. Chegava a casa e lá estava ele todo feliz por me ver chegar. Passei muitas tardes ali com ele, enquanto estava deitado na espreguiçadeira a ler ou a estudar no jardim. E ele às sete da manhã também me via sempre sair de casa, pois mal ouvia a porta a bater acordava logo.
Na quinta-feira passada ele desapareceu. Tinha estado com a minha mãe a dar-lhe banho, coisa que ele detesta, mas que no fim fica muito, muito feliz. Passei duas horas à procura dele e não o encontrei. Ainda pedi à minha mãe que fossemos de carro à procura dele, pois ele podia-se ter perdido. Era 21h30 e desisti(mos). Nessa noite de hora em hora ia à rua ver se ele já tinha chegado. Era de estranhar. Pensámos em tanta, mas tanta coisa. Que ele podia ter perdido o faro, que se tinha perdido, que podia ter-se sentido mal, que alguém o podia ter roubado… No sábado chego a casa ao final da tarde e recebo a notícia que me meteu maldisposto o resto do fim-de-semana. O meu cão tinha sido atropelado e meteram-no numa rigueira, neste caso, o atropelador, perto da minha horta, que se encontra a uns bons metros da minha casa. Chorei uns bons minutos. Não sei porquê. Ou por raiva ao atropelador ou por nunca mais ver aquele amigo da nossa família.
Descansa em paz.

Comentários

Jane disse…
há gente tão estúpida e insensível. O meu cão, o Pipoca, está também desaparecido, há já 10 meses. As esperanças já são poucas ou quase nenhumas. É horrível chegar a casa ao fim de semana (estudo fora) e o Pipoca não estar lá, já alerta e como que a rir por me ver regressar...

Enfim, gostei muito do blog=)
Anónima :) disse…
Há dois anos morreu o meu avô. Nesse mesmo ano, morreu o meu cão Bolinhas, com uns 14/15 anos de humano (costuma-se dizer que um ano de humano corresponde a 7 de cão). Na verdade fiquei muito abalada. Já chegava ter perdido um membro importante da família, ainda perdia o meu cão. Aquele que me viu crescer desde pequena. Aquele que se deitava à entrada da porta das traseiras quando tinha calor. Aquele que tinha o rabo como um espanador, de tanto pelo. Aquele que já tinha cataratas e que não conseguia andar por causa de arteroses, mas que mesmo assim ainda abanava a cauda quando eu chamava por ele. Chorei muito, e ainda mais porque não o enterraram no quintal, mas sim numa horta longe. Percebo o que estás a sentir. Vais ver, arranjas outro, e desta vez como é o terceiro, põe-lhe um nome de jeito!
Rosa Cueca disse…
Nunca esquecemos um grande amigo!
Beijinhos

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